Janeiro 30 2012

Nunca é demais falar sobre este tema, saber que os cuidados paliativos começam a ser pensados à escala mundial é sem dúvida uma boa notícia!
Numa época em que o jornalismo se rege muito na base do sensacionalismo, e em que poucas vezes vemos, e lemos boas noticias, começamos a ver aparecer alguns livros e artigos a falar neste assunto.
Agonizar num hospital, e sofrer no fim da vida é um dos nossos medos! Sofrer sozinho, ficar longe de casa, ser despojado de quase todas as nossas coisas, perder capacidades, é algo que nos causa a todos preocupação e angústia. Medos esses que infelizmente na maioria dos casos tem razão de ser, pois cada vez mais se morre no hospital, longe da família e dos amigos, e nem sempre com a qualidade desejável.
Estas mortes tão “limpas” tão controladas, são dolorosas, mesmo quando já não existe sofrimento físico. A ausência das referencias familiares, a distancia da casa e o vazio emocional, que se instala tantas vezes à volta desses doentes, cria uma solidão sem palavras que chega a doer e muito!
É nessa altura em que a vida fica por um fio, que nos confrontamos com a partida deste mundo, que os familiares e amigos deviam dar o seu apoio. E que os especialistas em cuidados paliativos fazem toda a diferença! Tanto na vida do doente, como na vida de quem o acompanha.
Por isso era preciso coragem política, para que quem na sua profissão (Médicos, Enfermeiros, ou outros) decida seguir uma especialização nessa área, não sentisse falta de apoios financeiros e estruturais.
Todos temos direito ao controlo da dor e de outros sintomas incómodos, uma vez que já existem métodos eficazes, devemos todos lutar para que sejam aplicados, independentemente do estatuto social.
Para terminar deixo a minha opinião sobre o assunto.
Um dia todos nós vamos fazer essa viagem (sem regresso…) que seja uma partida serena sem muita turbulência. Na nossa ilha gostava de ver cuidados paliativos organizados (quem sabe? Talvez um dia!) Em que as pessoas fossem cuidadas com profissionalismo e carinho, de preferência no seu lar, que tivesse-mos equipas ao domicílio prestando apoio ao doente, mas também a quem cuida. Sei que já existe alguma coisa a ser feita nesse sentido, mas é pouco muito pouco…

Sendo voluntária no lar de idosos da Sta. Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo, vejo muitas vezes os nossos profissionais tentando dar mais conforto aos utentes em fim de vida, e não posso terminar sem deixar aqui uma palavra de apreço para todos eles, que dia a dia dão o seu melhor para minorar o sofrimento daqueles que perante a sociedade já pouco valor tem.

 

 

M. Izilda Amaral


publicado por servoluntariosempre às 14:46

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