Maio 09 2011

     Reformados e com bastante tempo disponível, decidimos dar alguma dessa disponibilidade a uma causa de solidariedade social. Optámos pelo apoio à Terceira Idade da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo, distribuindo a nossa acção pela Sala de Convívio do Lar de Idosos e pelo Lar Residencial da Sé.

     Porque também caminhamos rapidamente para essa faixa etária, talvez tenhamos uma percepção mais clara e realista dos problemas, dificuldades e anseios dos idosos. Estas questões agudizam-se quando eles são, por vezes, colocados nas diversas Instituições um pouco contra a sua vontade, o que decorre frequentemente da impossibilidade de as famílias os manterem nas suas casas com um mínimo de conforto e de dignidade.

     É aqui que entra o papel do voluntário, exercido a diversos níveis. Pode ser importante no sentido de minorar, suavizar e humanizar os dias, sempre muito longos, dos idosos nesta última etapa da vida.

     Nestes quase dois anos de voluntariado, a nossa acção centrou-se, exclusivamente, na promoção do envelhecimento activo, no plano mental, que consideramos importante, de modo a atenuar, dentro do possível, uma das situações muito frequentes no idoso, que é a depressão causada pelo auto-isolamento, separação dos familiares e sensação de inutilidade que levam à perda de vontade de viver.

     Um dos promotores do envelhecimento activo é a simples conversação. Nem sempre é fácil. Por vezes, o idoso tem imensa dificuldade em articular as palavras. Elas não lhe saem. Ele desiste. E temos que admitir, por vezes, a nossa incapacidade para provocar trocas de ideias e estabelecer um diálogo.

     Mas quando se consegue essa comunicação, é gratificante observar como eles falam, com entusiasmo, de peripécias da sua vida, de momentos marcantes que nunca esquecem, mesmo num passado distante, de alegrias e tristezas, família, amigos, etc. Sentem que está ali um ouvinte exclusivo e atento que dá importância aquilo que estão dizendo. Sabemos que proporcionamos alguns momentos bons, descontraídos e felizes quando, à despedida, eles simplesmente nos dizem “obrigado por este bocadinho”.

Na Residencial da Sé a nossa actividade talvez se pudesse designar como voluntariado do Lazer. Conseguimos interagir com o grupo, uns mais activos, outros menos, é certo, mas de um modo geral todos interessados nas actividades que propomos.

     Através de diferentes jogos, tais como o “Jogo das Palavras”, o “Quem Sabe, Sabe” e o “Bingo de Imagens”, recorda-se o que se sabe e aprende-se o que é novo.

     Quando de uma resposta a uma pergunta ou de uma imagem resulta uma troca de ideias, ou discussão sobre o tema, sentimos que, de certo modo, estamos a contribuir para a promoção do envelhecimento activo mental e do qual também beneficiamos.

     Como se disse acima, lidar com o idoso é uma tarefa delicada. Barreiras físicas, como surdez acentuada; dificuldades de expressão e lapsos de memória; psicológicas, como o auto-isolamento, e as nossas próprias limitações no sentido de ultrapassar essas barreiras, frustram, por vezes, as nossas expectativas e objectivos. Porém, não podemos nem devemos desistir. Para isso basta não nos esquecermos das muitas ocasiões em que conseguimos obter um sorriso, uma gargalhada ou uma piada, um brilho no olhar, também uma conversa mais séria –  contributos que ajudam um pouco a matizar uma vida, às vezes, demasiado cinzenta.

 

Maria do Céu Pereira e

Veber Pereira


(Voluntários na SCMAH)

 

publicado por servoluntariosempre às 18:15

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